Apresentação

O projeto Thesaurus: diálogos interculturais e museologia compartilhada é um projeto de pesquisa financiado pela Universidade Federal de Goiás e CNPq (2019-2021). Trata-se de uma proposta inédita de elaborar um Thesaurus da cultura material Karajá em parceria com representantes da comunidade, a fim de avançar na experiência do encontro etnográfico para desconstruir assimetrias na produção de conhecimento intercultural com relação aos estudos de coleções e processo museológicos relacionados a grupos indígenas. O projeto tem como base de documentação digital o software livre – plataforma Tainacan da UFG-IBRAM, com apoio da Pró-reitoria de Pesquisa e Inovação (PRPI) por meio do Laboratório de Alto Desempenho, além do Cercomp/UFG. A base de dados que constitui o referido projeto está inserida na Coleção Digital Etnográfica do Museu Antropológico.

Os Iny Karajá

Habitantes seculares das margens do rio Araguaia nos estados de Goiás, Tocantins e Mato Grosso, os Karajá têm uma longa convivência com a Sociedade Nacional, o que, no entanto, não os impediu de manter costumes tradicionais do grupo como: a língua nativa, as bonecas de cerâmica, as pescarias familiares, os rituais como a Festa de Aruanã e da Casa Grande (Hetohoky), os enfeites plumários, a cestaria e artesanato em madeira e as pinturas corporais, como os característicos dois círculos na face.


O nome deste povo na própria língua é Iny, ou seja, “nós”. O nome Karajá não é a auto-denominação original. É um nome tupi. As primeiras fontes do século XVI e XVII, embora incertas, já apresentavam as grafias “Caraiaúnas” ou ” Carajaúna”. Ehrenreich, em 1888, propôs a grafia Carajahí, mas Krause, em 1908, consagra a grafia Karajá.


Os Karajá têm o rio Araguaia como um eixo de referência mitológica e social. O território do grupo é definido por uma extensa faixa do vale do rio Araguaia, a ilha do Bananal, que é a maior ilha fluvial do mundo, medindo cerca de dois milhões de hectares. Suas aldeias estão preferencialmente próximas aos lagos e afluentes do rio Araguaia e do rio Javaés, assim como no interior da ilha do Bananal. Cada aldeia estabelece um território específico de pesca, caça e práticas rituais demarcando internamente espaços culturais conhecidos por todo o grupo.
Fonte: LIMA FILHO, Manuel (1999).

Utilizamos as categorias classificatórias dos objetos propostas por Berta Ribeiro (1988).

Conheça as categorias principais do acervo: