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Raposinha
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PCH TABOCA ARQUEOLOGIA RELATÓRIO FINAL ANEXOS
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Imagem 1. Vista geral do sítio -
Imagem 2. Área do sítio. -
Imagem 3. Entrada do sítio Raposinha -
Imagem 4. Área ao redor sítio. -
Imagem 5. Identificação de material cerâmico. -
Imagem 6. Evidenciação de material in situ. -
Imagem 7. Vestígios arqueológicos. -
Imagem 8. Furo de sondagem. -
Imagem 9. Área de abertura de trincheira. -
Imagem 10. Mapa Geomorfológico. -
Imagem 11. Mapa de localização. -
Imagem 12. Conjunto Cerâmico -
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Metadados
Miniatura
Nome do Sítio Arqueológico
Raposinha
Sigla do Sítio Arqueológico
Área Arqueológica
Região Arqueológica
Primeira Região Arqueológica da Área Paranaíba (GO-Ja. - Jataí)
Zona Arqueológica
Ja.c
Estado
Município
Georreferenciamento
E: 432.867m e N: 7.955.165m Fuso: 22
Mapa Georreferenciado
Descrição da Área
O GO-Ja.114 Sítio Raposinha foi identificado na hidrografia regional do rio Verde, tendo como canal fluvial mais próximo o córrego São José, situado a 44m de distância da sua margem esquerda e a 142m de distância da barra do referido córrego com o rio Verde.
A geologia regional e local é constituída pela Formação Serra Geral e Botucatu, associada à presença de rochas da Formação Vale do Rio do Peixe. As rochas que dominam essas formações são o arenito silicificado ou não, basaltos, diabásio com alternâncias de camadas de siltito e argilito. Essas rochas são maciças e possuem variação de cores, que se alternam entre as nuanças cinza-escura e preta, marron e cinza-avermelhada para os basaltos, e avermelhada e rósea, de granulação fina a muito fina, para os arenitos.
A desagregação dos arenitos é responsável pela presença de solos arenosos que recobrem os maciços basálticos e areníticos, formando extensos areiões que ocupam os terrenos planos, com feições de superfícies de aplainamentos, denominadas chapadões.
O relevo tem como forma mais representativa o Planalto Rebaixado do Rio Verde, com cotas altimétricas que variam entre 400m e 550m, onde são evidentes os relevos residuais, geralmente com feições de serras alongadas, mostrando alguns segmentos de escarpas e paredões entrecortados por canais de escoamento pluvial concentrado.
Esses canais, com características de ravina, captam o escoamento das enxurradas que descem das encostas, aproveitando as linhas de fraturas e diáclases, formando um sistema hidrográfico secundário, muitas vezes comportando-se como cabeceiras de drenagem, as quais abastecem os córregos e ribeirões afluentes do rio Verde.
O clima caracteriza-se pelo Köppen do tipo Aw, com duas estações bem definidas, sendo uma chuvosa e outra seca.
A fitofisionomia da área é marcada pela presença de mata galeria, vereda, brejo e também por vegetação antrópica, com presença de pastagem cultivada.
Área do Sítio Arqueológico (m²)
27.200 m²
Descrição do Sítio Arqueológico
O sítio é do tipo lito-cerâmico e a área core corresponde a uma vertente com baixa declividade, tendo no sopé o córrego São José, cujas várzeas estreitas e alongadas, de solo argiloso, devem ter fornecido matéria-prima para a fabricação de vasilhames cerâmicos. Os afloramentos dispersos e os blocos rochosos de vários tamanhos de arenito silicificado, filito e siltito conformam as matérias-primas aproveitadas no processo de produção dos artefatos líticos.
O solo é o Latossolo Vermelho-Amarelo Distrófico, muito profundo, argiloarenoso, compacto de textura fina a média, predominante em toda a região. A observação do solo foi realizada a partir do aporte das interfaces disciplinares, por especialista da área. Não foram coletadas amostras do solo e da retificação do perfil.
O material arqueológico disperso foi registrado na vertente, em solo antropizado, em razão dos usos e aproveitamentos atuais. As margens do córrego São José representam espaços apropriados para a ocupação humana, pretérita e atual, com marcas dessas populações, a partir de estigmas pré-coloniais (sítios e ocorrências) e contemporâneos (áreas habitacionais e testemunhos destas: telha, frutas cultivadas). Assim, a área foi remodelada pelos usos atuais, e nela foram usados equipamentos para o preparo do terreno (desmatamento, queimadas, arado), sendo lavrado por várias vezes para o cultivo de roça e pastagem. O lugar de fixação do sítio, na ocasião da pesquisa, era aproveitado para a criação de gado de corte e leiteiro.
O local apresenta ainda outros processos de alteração, provavelmente resultantes do preparo do solo e do uso de maquinário agrícola, com erosão pluvial acentuada, curvas de nível no terreno, cercanias, testemunhos de construção de moradia contemporânea, bebedouro de gado, presença de térmitas, entre outros fatores que devem ter contribuído para a modificação da área e consequentemente, do sítio arqueológico e dos testemunhos culturais remanescentes.
O sítio, em virtude dos elementos apontados, foi inserido na Classe E, correspondente a Sítio Destruído, conforme a classificação elaborada por Morais et al., (1998). Nessas condições o sítio não foi selecionado para a etapa de escavação arqueológica, não sendo possível a obtenção da distribuição espacial precisa deste, considerando-se forma e dimensão. Entretanto, as técnicas aplicadas evidenciaram parcialmente a distribuição espacial, tomando-se como referência os lugares onde foram evidenciados os testemunhos culturais na superfície e subsuperfície do terreno.
Categoria
Pré-colonial | Lito-cerâmico
Sítios relacionados
Sítios Cobra coral (GO-Ja.112) e Mico estrela (GO-Ja.119)
Uso atual da área do Sítio Arqueológico
Propriedade Privada, Fazenda São José
Água mais próxima e distância (m)
Córrego São José (44m)
Coletas e Intervenções Arqueológicas
Descrição dos Conjuntos
84 fragmentos cerâmicos, sendo:
Tipo:
Parede - 76 (74 convexas e 2 côncavas);
Borda - 8 (Forma - 5 diretas e 3 infletidas; Tipo - 5 simples e 3 reforçadas; Lábio - 6 arrendondados e 2 apontados).
Técnica:
Pode-se afirmar que a técnica de manufatura roletada foi amplamente utilizada na elaboração dos vasilhames. Em 49 fragmentos foram verificados sinais de rolete de confecção. Nos 35 fragmentos que completam a amostra não foi possível a identificação de técnica de manufatura.
Tempero:
Os temperos classificados como cerâmica moída, cariapé e grânulos de óxido de ferro foram identificados em associação à argila. As espículas cilíndricas, de coloração esbranquiçada, geralmente designadas por cariapé 'A', foram registradas na totalidade dos fragmentos. A cerâmica moída foi observada em 27 situações analisadas; o cariapé do tipo fibras vegetais apareceu em quatro casos, e o mesmo cariapé, associado à cerâmica moída foi percebido em dois fragmentos. Foi predominante a adição de cerâmica moída associada ao óxido de ferro, abrangendo 34 casos.
Composição:
Areia fina - 42;
Areia média - 29;
Areia grossa - 13.
Decoração:
Entre os testemunhos cerâmicos analisados, cinco bordas apresentaram linhas incisas, as quais parecem contornar o vasilhame. Em dois casos, a linha incisa está associada à dobra da borda. A dobra corresponde à sobreposição de camadas de argila, provavelmente realizada na peça ainda úmida. Em uma das bordas da coleção arqueológica foram identificadas duas linhas incisas que parecem acompanhar o rolete.
Queima:
A queima foi observada na secção transversal da peça, preferencialmente em fratura recente. A presença de núcleo escuro indicou a queima incompleta, na totalidade dos fragmentos.
Sete fragmentos líticos, sendo:
Tipo:
Lasca - 2;
Fragmento de lasca - 1;
Lasca utilizada - 2;
Percutor - 1;
Artefato polido fragmentado - 1.
Composição:
Arenito silicificado - 4;
Calcedônia - 2;
Basalto - 1
Marca de uso:
A lasca utilizada confeccionada em suporte de lasca apresentou gume cortante, e em um dos casos com retoques descontínuos. No outro caso, o gume foi utilizado sem retoque, fato comprovado pela presença de marcas de uso.
As lascas apresentaram diferentes formatos, indicando principalmente a função de raspar e cortar.
O percutor corresponde a um seixo com sinais de picoteamento.
Os objetos líticos parecem ter sido descartados no contexto da aldeia. Esta situação sugere que o sítio arqueológico possa ter sido usado como local onde os artefatos foram utilizados e na sequência descartados.
Fragmentos/Peças/Conjuntos
Cerâmica
84
Lítico
7
Classificação Cultural
Sem classificação cultural determinada
Fases
Não se aplica.
Informações Etnográficas/Arqueológicas
O GO-Ja.114 Sítio Raposinha foi estudado a partir da execução da etapa de prospecção arqueológica, com a adoção de técnicas de pequeno porte, com o fito de verificar-se a potencialidade informativa do sítio. Os procedimentos técnicos evidenciaram testemunhos arqueológicos lito-cerâmicos na superfície do solo antropogênico. Os 340 furos de sondagem abertos na área não apresentaram material arqueológico.
Os objetos provavelmente tenham sido produzidos na própria área do sítio, caracterizando-se como um assentamento ocupado por grupos humanos de horticultores-ceramistas. O sítio foi instalado, conforme os parâmetros locacionais estabelecidos para assentamentos humanos pretéritos, em espaço com oferta de recursos destinados às atividades extrativas (mineração e pesca). O local apresenta também áreas fontes de matéria-prima, tais como: cascalheira, afloramento rochoso e pavimento detrítico. Neste último caso, o espaço caracteriza-se pela presença de depósitos de materiais grosseiros, de granulometria variada. Esses elementos resultam do intemperismo mecânico, os quais, acumulados na vertente e nas partes basais da superfície de aplainamento, ocorrem na forma de depósitos rudáceos, utilizáveis no processo de lascamento para a obtenção de artefatos de rocha. Inclui rochas e minerais de boa fratura conchoidal para o talhe, debitagem e retoque, com dureza suficiente para a percussão ou textura adequada para o polimento.
O contexto próximo ao sítio apresenta ainda corredeiras, cachoeiras e saltos, constituindo locais para fácil apanha de peixes migratórios, caracterizados por desníveis gradativamente abruptos do leito fluvial do córrego São José, provocando quedas dʹágua que dificultam as migrações sazonais da ictiofauna. Além dessas fontes foram observados depósitos de argila e várzea.
Esses parâmetros, estabelecidos segundo situações consagradas universalmente sobre padrões de assentamentos humanos, se mostraram recorrentes em diversas situações e locais, na extensão do rio Verde e de seus afluentes. Tais lugares são considerados apropriados para a oferta de outros provimentos abundantes na fauna, na ictiofauna e na flora.
A declividade do terreno, em direção ao córrego São José e ao rio Verde, e a ação da chuva podem ter favorecido o deslocamento das peças arqueológicas, retirando-as da sua posição original e acentuando o processo de escoamento pluvial.
O sítio arqueológico pré-colonial, conforme explicitado acima, foi classificado como Sítio Destruído, inserido na Classe tf, seguindo a classificação elaborada por Morais et al., (1998).
As atividades realizadas no sítio permitiram preliminarmente afirmar que na vertente de baixa declividade foi instalado, em período pré-colonial, um sítio arqueológico, de natureza lito-cerâmica. A presença de várzeas estreitas e alongadas, de solo argiloso, deve ter fornecido matéria-prima apropriada para a produção dos objetos cerâmicos. Os afloramentos dispersos e os blocos de rocha de vários tamanhos de arenito silicificado, filito e siltito compõem as matérias-primas usadas para a fabricação das peças líticas, as quais são originárias do contexto próximo do sítio. A subsistência das populações pretéritas que habitaram o local deve ter sido complementada pela coleta de peixes, no período da piracema, nas corredeiras formadas no leito maior do córrego São José. Sítios arqueológicos de natureza lito-cerâmica, instalados a céu aberto, na extensão das margens do rio Verde, são recorrentes. As peças caracterizam-se por objetos produzidos em argila e rocha.
Datações
Não se aplica
Número de Registro
Cerâmica
11.233.001 a 11.233.084
Lítico
11.233.001 a 11.233.007
Estado de Conservação
Ruim
Descrição de conservação
O estado de conservação do sítio foi classificado como ruim em sua maioria.
Coordenador(a) do Projeto
Dilamar Candida Martins
Pesquisadores (as)
Bolivar Quirino Martins – Agrimensor/Topógrafo
Dilamar Candida Martins – Arqueóloga
Ludimília Justino de Melo Vaz – Mestre em Cultura Visual ‐ Técnica em Arqueologia
Paulo Borges Costa – Técnico em Videografia
Roberto Luiz Franco Bucci – Geógrafo
Sheila Dayan Gomes Beltrão – Gerente de Projetos
Tatyana Beltrão de Oliveira – Turismóloga
Veter Quirino – Técnico em Fotografia
Weylla Bento de Oliveira – Especialista em Gestão Ambiental ‐ Técnica em Arqueologia
Luiz Henrique Albernaz Sirico – doutorando em Arqueologia (Pós‐Graduação em Arqueologia ‐ MAE/USP)
Lucas de Oliveira Rodrigues – Ciências Sociais /UFG - Estagiário
Processo SEI IPHAN
n° 01516.001924/2010-66
Ano da Pesquisa
2010-2011
Relatório do Projeto de Pesquisa
Arqueologia na sub-bacia do rio Verde: a Pequena Central Hidrelétrica Taboca (Projeto de Salvamento Arqueológico) e Plano de Educação Patrimonial (Relatório Conclusivo). Universidade Federal de Goiás/Museu Antropológico/Laboratório de Arqueologia, 2011.
Referências Bibliográficas
MARTINS, D. C. Arqueologia na sub-bacia do rio Verde: a Pequena Central Hidrelétrica Taboca (Projeto de Salvamento Arqueológico) e Plano de Educação Patrimonial (Relatório Conclusivo). UFG/MA/LabArq, Goiânia/GO, 2011.
Registros Fotográficos
Fotos de campo, paisagem e vegetação do sítio, conjuntos tipológicos e peças expositivas.
Objetos com potencial didático e expositivo
Conjunto Cerâmico: 11.233.002; 11.233.003; 11.233.005; 11.233.006 e 11.233.014 (2 fragmentos remontam).
Forma de Entrada
Apoio Institucional
Doador/Pesquisador
Dilamar Cândida Martins
Coletor/Empresa
Data de entrada
2011
Responsável pelo preenchimento
Ian Paixão













